Cultura do gergelim é destaque em vitrine de tecnologias da Embrapa no Entec$


Durante o Encontro Nacional de Tecnologias de Safra (Entec$), em maio, em Lucas do Rio Verde (MT), a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresengou uma série de tecnologias disponíveis para os produtores matogrossenses. Dentre as culturas dispostas em uma vitrine de tecnologias, o gergelim tem chamado a atenção dos visitantes. Além de a planta ser desconhecida para a maioria, o potencial de plantio no estado é um atrativo para a oleaginosa.

Segundo a pesquisadora da Embrapa Algodão, Nair Helena Castro Arriel, o gergelim pode ser uma boa alternativa para os produtores matogrossenses na safrinha, uma vez que é uma cultura de ciclo curto, com colheita em torno de 90 a 100 dias.

“É uma opção para o cultivo safrinha, aproveitando a umidade do solo e os resíduos de adubação deixados pelo algodão ou pela soja. Por ser tolerante à seca, o gergelim deve ser plantado em fevereiro ou março para que no período de colheita esteja completamente na seca, evitando que a umidade prejudique a qualidade da semente na seca”, explica Nair Arriel.

De acordo com a pesquisadora, por ser uma oleaginosa, o gergelim pode entrar no programa de incentivo do biodiesel. Entretanto, atualmente a produção tem se destinado principalmente para a alimentação humana, sobretudo em panificações e produção de óleo vegetal.

“Na região Nordeste o uso é mais alimentar, pois a produção é em pequena escala. Já no mercado do Centro-Oeste, onde a produção é feita em maior escala, além da panificação e da alimentação, o gergelim serve para a extração de óleo”, afirma a pesquisadora.

Para viabilizar o plantio em áreas mais extensas, a equipe da Embrapa Algodão trabalha no desenvolvimento de variedades adaptadas ao clima da região e também que sejam adaptadas ao cultivo mecanizado. O último lançamento foi a cultivar BRS Seda, que tem alta produtividade, com 1500 a 2000 kg/ha, e cuja semente é mais clara do que a maioria das variedades de gergelim.

Além da BRS Seda, na vitrine de tecnologias da Embrapa no Entec$ também estavam disponíveis a cultivar G4 e uma linhagem avançada ainda inédita.

De acordo com Nair Helena Castro Arriel, o preço pago pelo gergelim varia de acordo com o mercado consumidor e com a oferta do produto. No Nordeste, onde a produção é menor, paga-se de R$ 4,50 a R$ 8 o quilo. Já no Centro-Oeste o preço gira em torno de R$ 3 o quilo da semente.

Agricultura familiar

A participação da Embrapa no Entec$ 2012 também deu destaque para a agricultura familiar. Além de tecnologias apresentadas na vitrine, como espécies frutíferas, feijão, milho doce, sorgo sacarino e plantas forrageiras, foram realizadas palestras relacionadas à cadeia produtiva das hortaliças.

Na quarta-feira, os pesquisadores da Embrapa Agrossilvipastoril, Flávio Fernandes e Anderson Ferreira, fizeram apresentações sobre a adubação e nutrição de olerícolas e a microbiologia de solos, respectivamente.

Em sua palestra, Flávio Fernandes destacou a necessidade de fazer um planejamento da adubação e de se conhecer bem as características do solo para otimizar o uso dos recursos e reduzir os custos de produção.

“Não dá para chegar na hora da adubação sem saber o que realmente precisamos. Se pararmos para programar vamos conseguir um custo viável e sem uso excessivo de insumos”, explicou o pesquisador que ainda enfatizou a necessidade de o produtor contar com assistência técnica capacitada para auxiliá-lo na produção.

De acordo com Anderson Ferreira, o produtor deve estar atento à microbiota do solo, pois os microrganismos desempenham importantes papeis benéficos à produção, como a decomposição de matéria orgânica, ciclagem de nutrientes, promoção do crescimento das plantas, fixação biológica de nitrogênio, controle de pragas e doenças, entre outros.

O produtor José Wilson Neves está acostumado a trabalhar em grandes lavouras, mas agora, com seu pedaço de terra, pretende cultivar hortaliças. Segundo ele as palestras foram importantes para que comece a trabalhar na atividade de maneira correta.

“Já trabalhei muito em lavoura e já mais ou menos sabia que dependia de adubo. Mas não tenho uma experiência para mexer sozinho. A palestra ajudou a esclarecer um pouco para entrar na área”, disse o produtor que contará com auxílio de um técnico para iniciar sua produção.

Os agricultores familiares que estiveram no Entec$ ainda puderam ter uma visão ampla das possibilidades que possuem visitando a vitrine de tecnologias da Empaer. No local, foi montada uma grande horta com dezenas de variedades de hortaliças e frutas, que podem ser cultivadas na região Médio-Norte de Mato Grosso.

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